Transponder tem alerta falho

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Transponder tem alerta falho, dizem EUA

Órgão que fiscaliza a segurança aérea recomenda que pilotos sejam avisados sobre deficiência no sistema anticolisão 

Conclusões preliminares apontam que aviso de mau funcionamento do aparelho não é suficientemente chamativo para os pilotos 

DA REPORTAGEM LOCAL 

O órgão do governo americano que fiscaliza a segurança dos transportes aéreos nos Estados Unidos decidiu dar um alerta sobre uma deficiência no aviso de mau funcionamento do transponder, equipamento de transmissão de dados que poderia ter evitado o choque entre o jato Legacy da ExcelAire e o Boeing da Gol, em 29 de setembro de 2006. O alerta está em uma investigação divulgada ontem pela NTSB (National Transportation Safety Board), responsável pela segurança dos transportes aéreos nos EUA. A investigação ainda está em curso, mas a NTSB decidiu antecipar a divulgação dos dados para propor mudanças no sistema antichoque dos aviões. O texto diz que o sistema de segurança (que compreende o transponder e o TCAS, o dispositivo anticolisão) tem um defeito grave: quando, por alguma razão, o TCAS pára de funcionar, é emitida apenas uma mensagem visual na cabine, em letras pequenas e estáticas. O ideal, diz o relatório NTSB, é que as letras sejam mais chamativas. E que, principalmente, o alerta exija alguma ação do piloto para encerrar o aviso -como acontece, por exemplo, com um despertador. O texto da NTSB enfatiza que profissionais de aviação devem ser alertados sobre o caso, tendo por base o exemplo da tragédia no Brasil. Também deve ser avaliada a viabilidade de um alerta mais eficiente, para ser instalado nos futuros aparelhos que saírem da fábrica. Essa recomendação será dada a Federal Aviation Administration (FAA) agência de aviação dos EUA. 

Processo 

O documento pode mudar as estratégias dos advogados envolvidos no processo, pesando para o lado da Honeywell, a fabricante do transponder. A empresa foi escolhida como alvo da ExcelAire, a empresa dona do jato, que culpa também a brasileira Embraer, fabricante da aeronave, pelo acidente do ano passado. Em relatório enviado à Polícia Federal, os advogados da ExcelAire relataram que o sistema anticolisão que estava instalado no Legacy já teria apresentado problemas em outra aeronave. Imagens de radares da Aeronáutica mostram que o transponder ficou desligado ao sobrevoar Brasília momentos antes da colisão. Em fevereiro, a comissão brasileira que investiga o acidente afirmou que o transponder do Legacy funcionou normalmente durante o vôo, o que reforçou a possibilidade de falha humana.